sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Amar, verbo (in)transitivo
domingo, 17 de janeiro de 2010
Ando tão à flor da pele…
Felizmente nenhum beijo de novela me faz chorar porque não vejo novela. Mas se visse, chorava.
Não sei quanto às outras mulheres, mas sinto que minha TPM só piora com a idade. Choro, geralmente à noite. Digo coisas duras, geralmente a quem amo.
Tá, tô desempregada há uma semana, não consigo achar ar condicionado pra comprar apesar da sensação térmica de 50 graus no Rio, meu companheiro tem um problema de saúde grave… marido diz que estou sendo exigente demais comigo mesma, apesar de concordar que tenho estado arisca.
SEMPRE fui muito exigente comigo mesma. Costumo dizer que fui uma adolescente adulta: irmã mais velha; primeiro beijo, quase 15; nenhuma reprovação na escola ou faculdade; só comecei a beber aos 19... É um currículo permeado de neuroses de todos os tipos.
O processo de me tornar uma mulher adulta foi de transgressão, de me tornar uma adulta adolescente. Ainda sou pouco desvairada, mas sou definitivamente uma pessoa mais leve. Ok, os quilinhos a mais. Ok, beber, pagar mico, ficar de ressaca. Ok, não me casar de branco. Ok, ganhar menos que a maioria dos meus amigos. Ok, alguns pecadinhos.
A TPM foi meu termômetro, no entanto. Ainda sou muito dura comigo. Ainda quero ser mulher-maravilha. Viajo o mundo a trabalho (literalmente os cinco continentes no último ano e meio), mas considero fundamental ter mais tempo em casa, cozinhar com marido, ler a Piauí juntos. Tenho a oportunidade de defender minhas visões políticas em lugares que jamais imaginei… e quando vejo marido dormir, percebo que desisti da idéia de não ter filho. Quero ter um filho um dia com a cara dele, quero ir à Bolívia de Morales, quero aprender italiano, quero poder alugar um apartamento maior (porque num quarto e sala todo problema aumenta)…
No filme Annie Hall, o personagem de Woody Allen começa dizendo que a vida dele é como aquela velha história de que “eu não gostaria de fazer parte de nenhum clube que me aceite como membro”. Tenho me sentido assim. Essa insatisfação até que me move e pode me levar a algum lugar interessante. No momento, ela tá me enchendo o saco. Posso terminar esse post sem uma mensagem de "dias melhores virão"? Ao menos, há boa arte no mundo pra gente viver melhor os dias cinzas.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Valor de troca e valor de uso
Trabalho há 1 ano e meio em uma ONG feminista e me considero muito mal remunerada, consideração frequentemente respondida por minha chefe com um “é o valor do mercado” difícil de tolerar. Há pouco mais de um mês, descobri que uma amiga que ocupa um cargo similar em uma organização parceira ganha quatro vezes o que ganho!! Ecoou ainda mais forte as perguntas que não calam em mim: Quanto valho pro mercado? Quanto valho pra minha chefe? Quanto valho pra mim mesma?
sábado, 2 de janeiro de 2010
Sobre listas e necessidade de controle
Nada surpreendente que eu goste tanto de listas afinal sou obsessiva. As listas acalmam as neuroses. Dão uma noção de perspectiva e uma sensação de que estou no controle. Controle. Por que alguem acredita por um segundo sequer que esse controle exista?
Só que levou um tempinho pra eu me dar conta disso… quem faz listas com tanto prazer considera este um ato absolutamente normal. Eu tenho inclusive fiéis companheiros da arte de fazer lista! Eu e minha irmã costumávamos sentar pra fazer listas juntas antes de uma viagem ou projeto comum. Um dos meus melhores amigos é fanático por listas. Já fizemos inúmeras listas em guardanapos em mesa de boteco. Teve uma inclusive, em janeiro de 2009, em que debatemos “cinco coisas que meu próximo peguete tem que ter”. Dias depois, meu “próximo peguete” excedeu as qualidades exigidas em minha lista de então e veio a se tornar meu marido oito meses depois. Necessidade pouca de controle é bobagem…
Aliás, o derradeiro peguete – que recusou-se solenemente a ser só frenesi e virou marido – ao perceber as propriedades calmantes que as listas têm sobre mim, volta e meia faz alguma comigo, especialmente durante a TPM… esse homem é um sábio, acima de tudo.
É difícil lutar contra fazer listas, afinal elas quase sempre funcionam comigo: me acalmam e me deixam com a impressão de que tenho tudo sob controle. Tenho noção dos perigos dessa falsa impressão, vide minha assuidade na análise. Mas enquanto eu estiver substituindo ansiolíticos por listas, acho que o saldo é positivo…
O importante é não perder de vista a lição que aprendi a duras penas com as vicissitudes da vida: a sensação de controle é falsa. Citar a analista é lugar-comum, mas a mulher é boa e resolvi dar o crédito: ela me falou da dificuldade de lidar com o buraco negro da vida, o inesperado e imprevisto que sempre há. Mas isso é tema graaaaaande pra outro dia.
Por ora, sigo com minhas listinhas, afinal novo ano implica em resoluções… estudar pra entrar no doutorado, emagrecer, convidar os amigos pra jantar comidinhas gostosas feitas por moi-même, ler Lewis Carroll antes do filme do Tim Burton estrear… como toda mulher, sofro da síndrome de Mulher-Maravilha, acho que posso fazer de um tudo, mas isso também é assunto pra outro papo.