Preciso me encontrar mais frequentemente, a sós. Sinto falta de me conhecer mais depois que me vi através dos olhos de tantos. Agora necessito absolutamente estar só comigo. Nem sempre a meditação, o silêncio, a análise, a contemplação ou o cigarro roubado bastam...
sábado, 31 de julho de 2010
a solidão infinita das multidões
Estou órfã, sem papel de escrita. Meu moleskine cheio até a última página e não tenho um novo à espera há um par de meses. Os momentos de solidão, cada vez mais caros num apartamento tão pequeno e compartilhado, não cabem em meu silêncio. Minha saída, me desnudar publicamente, talvez um arroubo tolo, mas agora absolutamente necessário.
Projeto sete desejos, na fumaça do cigarro...
Quanto de nós podemos doar aos outros sem que deixemos de ser nós mesmos? Amar é se dar, se envolver, ao ponto de se confundir, às vezes não conseguir distinguir onde se começa um e termina o outro...
Não sou adepta da filosofia-mundo liberal da afirmação do indivíduo e suas vontades desconectadas de tudo e de todos. A interdependência é real e palpável. E se alguns esquecem disso no dia-a-dia, sempre vem uma tristeza que implora por acolhimento, uma doença que precisa de cuidado, uma dúvida que pede bate-papo... pra nos lembrar que precisamos dos outros, SEMPRE! Então, sem ilusões de que a autonomia total é possível, também há de se reconhecer o silêncio de si mesmo, um espaço que ninguém além de nós tangencia e que é tão imcompreensível até pra nós mesmos...
Na prática do amor à humanidade e do amar verbo transitivo (amar a alguém em especial) tão frequentemente nego ou ignoro o silêncio de mim mesma. Mas continua ali e às vezes emerge, sufocado de passar tanto tempo enterrado e explodindo de angustia...
Cotidianamente recalcamos desejos em nome do compromisso aos outros, às nossas verdades, à coerência com a nossa filosofia de vida, ou a tudo isso. Do chocolate a mais, ao cigarro proibido e da trepada que vai nos atrasar pro almoço de família... quando é que os recalques deixam de ser compromisso recompensador e passam a ser auto-abnegação compulsiva, do tipo que nos leva fatalmente a cobrar a conta daqueles em nome de quem supostamente freiamos tais impulsos? Se em algum lugar este limite está claramente demarcado, alguém hasteie uma bandeira no ponto porque eu creio que me confundi. A resposta do bom samaritano ou do iogue é que há de se ter equilíbrio e etc e tal. Mas se equilíbrio fosse o conceito tão auto-explicativo, não estávamos sempre nos descabelando com os excessos de se gastar, de se dar, de se reservar, de não arriscar...
Assinar:
Postagens (Atom)