quinta-feira, 29 de março de 2012

Porque sonhar não pode parecer assim tão impossível

Hoje desejei que Deus, ou qualquer força divina deste Universo, arranque do meu peito este sentimento que ainda tenho por você. Você que já não habita mais esta vida e não habitará mais. Que este amor se transforme em qualquer outra coisa de menos bonita ou menos preponderante. E menos dilacerante. Que eu consiga ver interesse em outros seres viventes. Que o nosso amor não pareça a coisa mais plena que eu já vivi. E que jamais vou viver. Porque você não existe mais. Porque você não vai voltar. Porque dói muito a solidão da sua falta. Eu simplesmente quero te sobreviver com algum resquício de felicidade ainda.
Porque sonhar não pode parecer assim tão impossível.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Não quero ser refém das minhas dores

Tenho buscado sorrir, cantar e dizer bom dia, mesmo quando a vida tem tido tão pouco sentido. Decidi há algum tempo que não quero que a amargura se torne o tom da minha existência, apesar das não poucas dores da alma.
O sentido da vida não existe, pensei. Criamos nós. Mas não conseguia criá-lo nem como fantasia. Tentei no carnaval, com seu salvo conduto coletivo para a invenção de si. Buscando leveza, me fantasiei de Chaplin. Segurando uma plaquinha escrito "Sorri", como na música de sua autoria. Um imperativo para mim mesma. "Sorri, vai mentindo a tua dor...[que] todo mundo irá supor que és feliz." Pensava, quem sabe, como passe de mágica da fantasia, a suposição dos outros se tornaria realidade.
Seria feliz.
Singela ilusão. Doce. Mas iludida.
Não seria a fantasia do carnaval ou a carga de trabalho que criaria sentidos naturalmente. Ao menos ainda não.
E ao tentar ignorar a dor da alma, encenando qual palhaço a felicidade que não tinha, minha alma gritou. Gritou em dores físicas. Intensas. Sem diagnóstico. Corpo falhando. Puxando o tapete da minha ilusão. Deixando à mostra a poeira que bloqueia os canais da minha alma.
Cansada. Não, exausta.
Me deixa em paz. Me deixa encenar alegrias e sorrisos. Quero viver em paz. Mesmo que isso exija a fantasia de artista.
Não teve jeito. O corpo dói. A alma grita atenção através da dor do corpo. Tudo bem, alma. Vamos conversar.

"Por que o senhor pretende excluir de sua vida qualquer inquietude, qualquer dor, qualquer melancolia, sem saber o que essas circunstâncias realizam? Por que perseguir a si mesmo com estas perguntas: de onde pode vir tudo isso e para onde vai? No entanto, o senhor sabe que está em meio a transições e não desejaria nada mais do que se transformar. Se algum dos seus procedimentos for doentio, considere que a doença é um meio com o qual o organismo se liberta de corpos estranhos; por isso é apenas preciso ajudá-lo a estar doente, a assumir e ter sua doença por completo, pois é esse o seu curso natural." Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta.



"Sorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios
Sorri, quando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador
Sorri, quando o sol perder a luz e sentires uma cruz nos teus ombros cansados, doridos
Sorri, vai mentindo a tua dor, e ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que és feliz."

quinta-feira, 8 de março de 2012

Por quês?

Por quê?
Algumas perguntas nunca serão respondidas.
Algumas respostas nunca serão suficientes.
Você faz falta.
O mundo é pior porque você se foi.
E nenhuma explicação do mundo justifica esta ausência.