quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Buscando manter a fé pós-revolução

O amor com entrega é um ato revolucionário. Subversivamente, meu companheiro e eu ignoramos as visões cínicas da humanidade e mergulhamos com fé nesse ato. Com todo nosso querer e força.
Mas, agora, 4 meses depois que meu comparsa desertou, exigem de mim que repense essa entrega. Querem domesticar minha vontade em algo mais "aceitável" e "compreensível". Amei demais, exagerei na fé, dizem. Aceito que o cotidiano da luta ficou duro demais pra ele. Mas às vezes quero encontrá-lo pra exigir que não me deixe aqui sozinha defendendo o que acreditamos juntos, o que sonhamos juntos. E que por sonharmos juntos foi real. E que por defendermos juntos, éramos fortes. Agora me falam como se eu fosse quebrar. E talvez eu quebre.
Que faço eu pra sustentar essa fé mesmo no momento pós-revolucionário? Se me deixou só meu companheiro, meu comparsa, meu interlocutor preferencial, como sigo acreditando em qualquer coisa, depois de entregar os últimos anos da minha vida pro ideal que compartilhamos? E que agora só segue existindo em mim?
É verdade que minha insistência em apegar-me a este sonho dá vazão a um saudosismo doloroso e me dificulta seguir em frente. Não quero me tornar velha alma entristecida pelo sonho perdido. Há de existir outros motivos pra sorrir e querer. Mas a alternativa a isso é manchar minha memória, reduzindo o sonho passado? Como seguir tendo fé no que tive e ainda assim querer o novo?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Café. Vinho. Sobreviver.

Pela manhã, café para tomar coragem.
À noite, vinho para amenizar a memória.
Dependência. Sobrevivência.
Qual a bebida mágica para transpor o tempo e a matéria?
Qual a bebida mística que nos leva a reestabelecer encontros apaixonados?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Aponta pra fé e rema..."

Querer viver depois que algo tão trágico te aconteceu é em si um ato absoluto de fé de que pode ser possível se reinventar e voltar a sorrir. É ter fé de que sua fé na vida pode voltar. Que as coisas podem de novo fazer sentido. Que pode ser possível passar dias e dias sem chorar uma lágrima sequer. Talvez. Um dia. Quem sabe. Tudo é tão inesperado mesmo agora. Tudo é tão incompreensível. Me sinto criança de novo com tantas incertezas. Mas dentre tantas, tem uma que gosto e na qual me agarro: pode ser possível ter vontade de novo de estar aqui absolutamente. Ter vontade. Ter medo de morrer na próxima forte turbulência porque se tem muito a perder. Chorar porque a vida é linda. Sentir que um momento é pleno e que não falta ninguém ou nada ali. Sentimentos que são hoje lembranças de um tempo que parece não ter volta. Fé ou ao menos dúvida, seu oposto complementar, de que possa ser de novo um dia. Desejo ardente de que seja. Concretamente. Não ideal somente. Não apenas desejo. Amém.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Abandonando a fuga, enfrentando as dores

Dói muito.
Desde que ele se foi, mergulhei no trabalho sem tempo para respirar. Quando vou à superfície buscar ar, me encontro sufocando, a opressão no peito persiste hoje como antes quando presto atenção.
Com asas quebradas, resolvi mergulhar, já que voar é impossível. Me arrisco a morrer afogada se insistir em não encarar e refletir sobre as contradições e dores de minha vida.
Fiz escolhas por estar com ele, apoiá-lo em sua luta, mas agora que esse amor, razão tão central, se foi, estou órfã de sentidos.
Fujo da análise. Fujo de mim mesma. Fujo de momentos sozinha onde posso ouvir o sussurro lá fundo que me chama para encarar as batalhas nas profundezas e superfície de minh'alma.
Alma em fuga em terras longíquas e de língua estranha.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Despedida de Saturno

Fiz 30. Finalmente. Aquela coisa de 20 e algo já estava me caindo mal com tanta história de vida, uma história de amor tão profunda, tantos países no passaporte, tantos fios de cabelos brancos, tanta dor no coração... Meu companheiro sempre me dizia que é impossível fazer 30 sem crise. Talvez ele tivesse razão. Só que minha crise não é fazer 30. Fazer 30 só me dá a propriedade pra tanta crise. Trabalho demais, durmo de menos, choro sozinha, sinto saudades que doem fundo na alma, e até chego a desejar secretamente não acordar. Acho que preciso de férias. Mas posso tirar férias dos meus pensamentos? De mim mesma?
Quando nos casamos, há 2 anos, peguei um vôo 1 semana depois com a pior turbulência que já presenciei. Percebi o quanto queria viver quando me vi desesperada pensando que não queria morrer naquela hora, quando estava tão feliz de estar finalmente dividindo o mesmo teto com o homem que amava. Agora, 3 meses sem ele, peguei outro vôo e turbulência forte. Fechei os olhos e não consegui ter medo. Achei que se ele cruzou essa linha, o outro lado não pode ser tão ruim. Ele me dizia "não sei se o mundo é bom, mas ele está melhor porque você chegou." Até acho que o mundo é bom, mas ele está tão pior porque ele se foi. Ainda bem que tenho amigos. E que ainda há amor nesse mundo. Que não se acabou tudo quando ele partiu. Porque por um tempo e ainda hoje às vezes parece que se acabaram os motivos para sorrir.
Mas acho que é a sombra de Saturno em minha vida, fazendo eclipse, me impedindo de ver com clareza. Me despeço do soturno Saturno com agonia. Em seu eclipse, vivi a maior tristeza, mas antes disso o sentimento de maior plenitude. Mas está chegando a hora de Saturno partir, levando junto tanta sombra. Preciso.