quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sonho

Tenho pensado que o oposto de morte é sonho.
Sonhar é desejar possibilidades, mesmo que elas não se concretizem nunca, é querer, ter vontade.
Morte é a impossibilidade mais veemente. O oposto de sonho. É um não absoluto que nem ciência nem religião podem transpor.
Sem sonho morremos um pouco a cada dia. Mas desejar o novo quando não existem mais os antigos sonhos é tarefa imensa. Duvido a cada dia. Mas quero ter fé. Quero querer.
Antes de morrer, meu companheiro me disse que tinha medo de nunca mais acreditar no amor. Sem esse sonho, ficou impossível viver.
Sete bilhões de pessoas no planeta e o fim da existência de uma delas, tornou tudo bem menos interessante. Amor é sonho. Sonho é o oposto de morte. Vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Maré de ressaca

Luto é como maré de ressaca. Começou com ondas violentas que arrastaram tudo e me fizeram duvidar se ia sobreviver.
Com o tempo, as ondas foram ficando menores e mais espaçadas, até o ponto em que consegui conviver com elas. E foi aí que vi o estrago. O coração erodido, cheio de destroços, arrasado.
Já sei que vou sobreviver, mas a situação é tão desoladora que só resta respirar fundo e começar o trabalho paciente de recolher os cacos e curar, dar nova vida, novos significados.
É difícil. Cansa. Deixa muito mais dúvidas do que certezas.
Não quero me tornar praia fortificada, sem coragem de me entregar ao abraço das ondas do mar com medo de novas tormentas. Mas ainda não sei como ser a praia que fui um dia, abraçando de volta a maré cheia com convicção, audácia e vontade. Talvez nunca mais seja. Não se sabe.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Bom dia, comunidade!

Quando perdi meu companheiro, perdi junto nosso ninho, porque não conseguia mais viver lá. Espaço opressor de saudade e lembranças.
Pra meu consolo, duas amigas me deram abrigo sem nunca estipular data de saída. Mas elas não receberam só a mim. Receberam toda uma comunidade de amigos que passaram a dormir por ali, acampados pela casa, ou que vinham com freqüência, uma experiência digna dos Novos Baianos.
O que se estabeleceu ali foi uma espécie de milagre. Risadas, abraços, vinho, filmes, conversas proibidas para menores, a vida de tod@s em debate coletivo no quadro negro, listas de resoluções como resultado, choro desesperado, tod@s me pedindo que gritasse e colocasse tudo pra fora, uma paciência que parecia infinita enquanto eu questionava o sentido de continuar vivendo.
Não há palavras. Como expressar tão profunda gratidão ?
Foram amizades que se fortaleceram ou brotaram ali. Expressão do amor mais verdadeiro. Acolhimento. Afeto. Solidariedade.
Vocês tornaram impossível o meu impulso de duvidar da mágica da vida.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Me enamoré del planeta

Me enamoré del planeta
Descubrí que sin pasión no vivo
Y donde antes era hueco en mi alma
Encontré amor para seguir vivendo
Me enamoré del planeta
No de personas o cosas
No de seres vivientes
Pero sí del todo que alimenta todo
Tal madre amorosa
Me enamoré del planeta
Y talvez así siempre haya sido
Y no me había dado cuenta
Hasta el día de hoy que
Me enamoré del planeta
Si tanto tardé para asumir
Puede que jamás lo olvide
Y para siempre
Me enamoré del planeta