Os clichês existem por uma razão. Ainda que sejam baseados em estereótipos que podem (e muitas vezes devem) ser quebrados, eles representam padrões de comportamento. Na arrogância dos meus 30 anos, sempre me julguei acima de qualquer clichê, buscando minha própria marca na vida. Posso até ter conseguido subverter expectativas sobre o que deveria querer e como deveria agir. Mas tenho que assumir minha humanidade.
Fiquei VIÚVA. Até hoje sempre usei esse termo de forma meio sarcástica. Acontece que me vi querendo adotar um gatinho de rua pra dar afeto, mudar pra Chapada Diamantina pra mergulhar em mim... fiz festão de 30 anos, bebi com afinco quase diário... falei sobre coisas íntimas com estranhos, na vida e num blog, outras vezes me fechei numa concha até dos amigos mais íntimos... me peguei cheirando a roupa do meu companheiro, falando sozinha como se ele estivesse aqui, fiquei com raiva dele... pedi demissão, reneguei a análise e voltei chorando... chorei em saguão de aeroporto, no chão do banheiro, em ônibus urbano, no show do Gil quando ele cantou Drão... aliás, onde é que não chorei nos últimos seis meses?
Sou um clichê ambulante. Ser viúva é foda pra caralho! Não é só a saudade que consome. Parece que tudo que sabíamos sobre a vida não se sustenta mais. Também por isso choro. Alma dilacerada em dúvidas banais e profundas, não sei mais no que acredito.
"Drão o amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusãoTem que morrer pra germinar
plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada pela estrada escura"
Ressuscitar no chão nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada pela estrada escura"