quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Brilho eterno?
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Mundo grande transpõe conjunção astral
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O Tempo II: Mas eu sou tão moça pra tanta tristeza...
terça-feira, 30 de novembro de 2010
La columna rota

quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O TEMPO I: "Batidas na porta da frente: é o tempo...
terça-feira, 26 de outubro de 2010
"Te encontrei"
Meu Amor,
Quando andava errante que não tinha mais tempo,
Que já não tinha mais espaço para desejar a vida,
O tempo fugia de meu ser
E eu angustiado sentia que me restava só...
Eis que o mistério se apresentou:
No dia de São Sebastião do Rio de Janeiro...
Inadvertidamente quatro elementos se reuniram e davam início...
Desejo, Tempo, Espaço e Destino davam formas a uma espécie de livro de páginas infinitas.
Este livro desde então segue suas páginas, perene e cheio de torpor
E em algum sonho mesmo com a neblina sobre meus olhos...
Consegui ler seu título: A M O R
Dois autores: TEMPO E DESEJO
Celebro os vinte e nove anos de existência de minha Mulher...
Meu AMOR... escreveremos juntos o livro infinito da vida...
TE AMO
(Daniel do Vale)
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
As alquimistas estão chegando...
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Eu, caçadora de mim...
Tenho mergulhado no infinito de mim mesma ainda mais intensamente, seja aumentando a freqüência na análise ou cultuando mais o tempo sozinha pensando em questões intermináveis. Dói se encarar. Dói se desnudar até para si mesma. E perceber como sou tão refém de neuroses que Freud diria que começaram na infância e eu acho impossível de obter a genealogia detalhada.
Surreal também como ao futucar os vespeiros de nossa alma, encontramos referências às coisas mais absurdas, de mitos gregos de castidade a rituais de bruxaria...
De alguma forma me parece que na minha vida, a experiência de ser mulher encanta e perturba. Da admiração profunda pela força feminina, ao desconforto com o desejo tão fácil que provocamos com um decote mais revelador. Ser mulher é fragilidade e fortaleza e por isso tão contraditório e belo. Eu me abismo, me arrebato e me arrisco nessa aventura, apesar das dores e da vontade de me esconder numa conchinha que às vezes me toma com força...
Ao menos, reconheço a força das mulheres que me antecederam e abriram caminhos que hoje trilho com mais facilidade e trilho outros que outras irão trilhar com mais facilidade, num círculo mágico infinito de subversão, rebeldia, grito de liberdade, loucura e - diriam alguns - bruxaria...
sábado, 31 de julho de 2010
a solidão infinita das multidões
Preciso me encontrar mais frequentemente, a sós. Sinto falta de me conhecer mais depois que me vi através dos olhos de tantos. Agora necessito absolutamente estar só comigo. Nem sempre a meditação, o silêncio, a análise, a contemplação ou o cigarro roubado bastam...
Projeto sete desejos, na fumaça do cigarro...
domingo, 30 de maio de 2010
Mulher é bicho esquisito...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Dilema do Prisioneiro ou Amor Livre?
sexta-feira, 19 de março de 2010
Contra-corrente
sábado, 6 de março de 2010
Tempo lógico ou ejaculação precoce?
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Recordar, repetir e elaborar*
Se tem um binômio sempre presente na minha vida é o da autonomia versus dependência. Por muito tempo, conferi basicamente só a mim mesma a primeira característica e a todos à minha volta, a segunda. Assim, irmã mais velha não se tornou só um lugar na árvore geneológica, mas um estilo de vida. Cuido de resolver e me sentir responsável pelos problemas de todos, da minha irmã, da minha mãe, das pessoas com quem me relacionei… Há ao menos dois elementos intrínsecos nesse padrão de repetição: minha arrogância em me considerar mulher-maravilha-resolve-tudo e a opressão de não poder falhar nunca, de nunca poder precisar de ajuda.
Sempre tive um pé atrás com o processo da psicanálise. Meu preconceito de leiga no assunto é de que a psicanálise é muito baseada na superdeterminação dos traumas de infância na vida adulta. E “traumas” de infância não faltaram na minha relação familiar, apesar de todos os esforços dos meus pais que reconheço hoje. Logo, para mim, era ainda mais difícil aceitar a psicanálise por aquilo que eu julgava ser: a inescapável repetição de padrões apreendidos dos traumas de infância.
Há um mês, finalmente deitei no divã da minha analista, que comecei a frequentar a dois meses e meio, fruto de um reconhecimento meu de que não consigo resolver tudo sozinha: uma doença grave acometeu uma pessoa que amo e não sabia se chorava, se rezava, apesar de duvidar da existência de Deus, se simplesmente desistia de pensar em tudo isso e vivia em negação do problema… objetivamente, não havia nada a fazer além de manter a serenidade e ter fé em algum sentido maior da vida, mesmo que nem sempre o entendamos.
Psicanálise não é sobre repetição eterna como uma pura reprodução de padrões. É sobre o entendimento da frequente retomada de padrões, mas SEMPRE abrindo espaço pro advento do “impossível”. Milagre, mistério, mágica… esse espaço inexplicável pela razão desfaz o argumento da superdeterminação. Há tendências baseadas em experiências do passado, mas nada está determinado. O que está por vir não está escrito em pedra em lugar algum, está sendo escrito, como aqui agora.
* Texto do Freud sobre a técnica da psicanálise, disponível na web em suas obras completas.
Woody Allen em entrevista a respeito. Possivelmente um dos principais artistas a utilizar a psicanálise em sua arte, presente em diversos filmes.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Pecadinho
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A mulher, as viagens…
Assim como muita gente, nasci e cresci numa dessas famílias de gente que não se entende. Gente que não sabe se amar sem se machucar. Minha saída pra essa realidade não foi me tornar rebelde – embora altamente contestadora do senso comum – mas sim desenvolver desde cedo uma paixão pelo estrangeiro, terras longíquas onde outra vida parecia possível e onde eu podia encontrar meu “verdadeiro” eu.
Do desejo realizado do primeiro intercâmbio aos 19 até a situação atual de morar no Brasil mas longe de minha cidade natal, passei por diferentes países onde morei, trabalhei, estudei ou só visitei. Aprendi a falar algumas línguas ao ponto de ser confundida por local não raras vezes, conheci lugares distantes só com uma mochila nas costas, guias na mão e uma obsessão na cabeça: conhecer, conhecer, conhecer… o diferente, o novo, o lugar dos sonhos possíveis.
O que sempre evitei foi a estabilidade. Os relacionamentos começavam com um impedimento claro, um alerta ao outro: “nós não temos futuro porque eu vou me mudar em alguns meses…” Que era na verdade um alerta a mim mesma: não quero estabilidade, não quero enfrentar problemas que existem em mim, não quero lidar com questões que emergem de relacionamentos longos.
Há um ano e meio me mudei pela “última” vez e, cansada da vida errante, decidi comprar móveis. Me casei. Decidi que queria fazer minha vida aqui, finalmente. Fiz contrato de aluguel. Faço planos de permanecer. Descobri há algum tempo que os problemas da minha família de origem não melhoravam com a minha fuga. As questões não resolvidas me perseguem como sombra em qualquer continente. O desejo de permanência faz parte do entendimento de que tenho que parar de fugir fisicamente de mim mesma para finalmente buscar me encontrar. Busca que é projeto de uma vida inteira…
Drummond traduziu meu sentimento em poesia há algum tempo:
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Amar, verbo (in)transitivo
domingo, 17 de janeiro de 2010
Ando tão à flor da pele…
Felizmente nenhum beijo de novela me faz chorar porque não vejo novela. Mas se visse, chorava.
Não sei quanto às outras mulheres, mas sinto que minha TPM só piora com a idade. Choro, geralmente à noite. Digo coisas duras, geralmente a quem amo.
Tá, tô desempregada há uma semana, não consigo achar ar condicionado pra comprar apesar da sensação térmica de 50 graus no Rio, meu companheiro tem um problema de saúde grave… marido diz que estou sendo exigente demais comigo mesma, apesar de concordar que tenho estado arisca.
SEMPRE fui muito exigente comigo mesma. Costumo dizer que fui uma adolescente adulta: irmã mais velha; primeiro beijo, quase 15; nenhuma reprovação na escola ou faculdade; só comecei a beber aos 19... É um currículo permeado de neuroses de todos os tipos.
O processo de me tornar uma mulher adulta foi de transgressão, de me tornar uma adulta adolescente. Ainda sou pouco desvairada, mas sou definitivamente uma pessoa mais leve. Ok, os quilinhos a mais. Ok, beber, pagar mico, ficar de ressaca. Ok, não me casar de branco. Ok, ganhar menos que a maioria dos meus amigos. Ok, alguns pecadinhos.
A TPM foi meu termômetro, no entanto. Ainda sou muito dura comigo. Ainda quero ser mulher-maravilha. Viajo o mundo a trabalho (literalmente os cinco continentes no último ano e meio), mas considero fundamental ter mais tempo em casa, cozinhar com marido, ler a Piauí juntos. Tenho a oportunidade de defender minhas visões políticas em lugares que jamais imaginei… e quando vejo marido dormir, percebo que desisti da idéia de não ter filho. Quero ter um filho um dia com a cara dele, quero ir à Bolívia de Morales, quero aprender italiano, quero poder alugar um apartamento maior (porque num quarto e sala todo problema aumenta)…
No filme Annie Hall, o personagem de Woody Allen começa dizendo que a vida dele é como aquela velha história de que “eu não gostaria de fazer parte de nenhum clube que me aceite como membro”. Tenho me sentido assim. Essa insatisfação até que me move e pode me levar a algum lugar interessante. No momento, ela tá me enchendo o saco. Posso terminar esse post sem uma mensagem de "dias melhores virão"? Ao menos, há boa arte no mundo pra gente viver melhor os dias cinzas.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Valor de troca e valor de uso
Trabalho há 1 ano e meio em uma ONG feminista e me considero muito mal remunerada, consideração frequentemente respondida por minha chefe com um “é o valor do mercado” difícil de tolerar. Há pouco mais de um mês, descobri que uma amiga que ocupa um cargo similar em uma organização parceira ganha quatro vezes o que ganho!! Ecoou ainda mais forte as perguntas que não calam em mim: Quanto valho pro mercado? Quanto valho pra minha chefe? Quanto valho pra mim mesma?
sábado, 2 de janeiro de 2010
Sobre listas e necessidade de controle
Nada surpreendente que eu goste tanto de listas afinal sou obsessiva. As listas acalmam as neuroses. Dão uma noção de perspectiva e uma sensação de que estou no controle. Controle. Por que alguem acredita por um segundo sequer que esse controle exista?
Só que levou um tempinho pra eu me dar conta disso… quem faz listas com tanto prazer considera este um ato absolutamente normal. Eu tenho inclusive fiéis companheiros da arte de fazer lista! Eu e minha irmã costumávamos sentar pra fazer listas juntas antes de uma viagem ou projeto comum. Um dos meus melhores amigos é fanático por listas. Já fizemos inúmeras listas em guardanapos em mesa de boteco. Teve uma inclusive, em janeiro de 2009, em que debatemos “cinco coisas que meu próximo peguete tem que ter”. Dias depois, meu “próximo peguete” excedeu as qualidades exigidas em minha lista de então e veio a se tornar meu marido oito meses depois. Necessidade pouca de controle é bobagem…
Aliás, o derradeiro peguete – que recusou-se solenemente a ser só frenesi e virou marido – ao perceber as propriedades calmantes que as listas têm sobre mim, volta e meia faz alguma comigo, especialmente durante a TPM… esse homem é um sábio, acima de tudo.
É difícil lutar contra fazer listas, afinal elas quase sempre funcionam comigo: me acalmam e me deixam com a impressão de que tenho tudo sob controle. Tenho noção dos perigos dessa falsa impressão, vide minha assuidade na análise. Mas enquanto eu estiver substituindo ansiolíticos por listas, acho que o saldo é positivo…
O importante é não perder de vista a lição que aprendi a duras penas com as vicissitudes da vida: a sensação de controle é falsa. Citar a analista é lugar-comum, mas a mulher é boa e resolvi dar o crédito: ela me falou da dificuldade de lidar com o buraco negro da vida, o inesperado e imprevisto que sempre há. Mas isso é tema graaaaaande pra outro dia.
Por ora, sigo com minhas listinhas, afinal novo ano implica em resoluções… estudar pra entrar no doutorado, emagrecer, convidar os amigos pra jantar comidinhas gostosas feitas por moi-même, ler Lewis Carroll antes do filme do Tim Burton estrear… como toda mulher, sofro da síndrome de Mulher-Maravilha, acho que posso fazer de um tudo, mas isso também é assunto pra outro papo.