segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ao homem que amo

Você me fez transgredir as minhas possibilidades imaginadas de sentir. Já não me considero capaz de compreender, racionalizar, explicar, embora tente tantas vezes em vão. Interessante como a análise busca esse esforço, de estabelecer justificativas para meu sentir a partir de meandros psíquicos profundos e desencontrados. Talvez porque eu já não acredite que isso seja possível de forma que sequer se aproxime de completa, esse processo se aproxima de uma violência ao caminho que me vi trilhar desde que te conheci: o de sentir. Simplesmente. Sou uma mulher diferente e com tantas realizações íntimas intensas e inexplicáveis. Você é o vértice de tudo. Te acho tão imenso que o desejo da minha alma é mergulhar no seu mundo, te dar as rédeas do meu caminho, parar qualquer relutância em relação à entrega, desistir de entender o que sinto.
Me leva, Daniel, pelo caminho do amor sublime e verdadeiro, que só reconheço em você. Quero você como minha família, meu companheiro, meu interlocutor, o homem que me possui.
Desisti de dar razão, em nome de viver prazer intenso e visceral. Sou muito melhor porque você está comigo. Quero ser a mulher que você deseja. E esse querer me sensualiza de forma carnalmente improvável.
A profundidade de tanto sentimento é imensa demais pra pouco tempo. Preciso de toda uma vida. Te peço que me queira porque desaprendi a viver sem isso.
Não sei como um homem pode ser tão extraordinário.
A admiração e desejo que tenho são infinitas.

Ninho, 14 de dezembro de 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

A caminho da Tailândia

Conseguir ir morar junto, casar, ter celebração em um intervalo de um mês é uma experiência intensa por si só. Repentinamente se ver num avião da Turkish Airlines pra Bangkok com escala em Istambul, viagem a trabalho confirmada um dia antes, menos de uma semana depois do casório é o que chamo de experiência cósmica

De alguma maneira muito tortuosa, acho que tudo faz tanto sentido. Sou autora da minha vida, construí o que vejo como verdade. Remei contra a maré do que era esperado pra mim, em direção ao que acredito. Do que tinha, soube preservar o que sinto verdadeiro. E fui ao longo do caminho coletando novos elementos e me deixando arrebatar por experiências verdadeiras. Assim, me apaixonei por esse homem e me casei no Beco do Rato quando dei minha mão sem que ele pedisse verbalmente e me senti envolvida intensamente por ele. Amo. Não há melhor experiência.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Casório


Aos olhos do Infinito e do Eterno

sob grandes auspícios

de encontros e abraços

entre irmãos e amigos.

Diana Aguiar e Daniel do Vale,

das mãos de um embriagado sacerdote,

de um sorriso ateu,

recebam,

em forma de porrada,

de saculejo,

as mais grandiosas e patéticas bençãos.

Firmeza amigo

ao

domar e atiçar

a alma instigada de mulher

que se se estilhaça,

já era.

E que, portanto, merece a todo momento um cheiro

e um entendimento, principalmente.

Amiga,

é preciso lavar muitas vezes

para se retirar a nódea amarga

que fica

dos dias e amores que amargam.

Se posso lhe dar um conselho:

nunca poupe esse rapaz.

Nesse lar,

acasalem-se apoteoticamente

dancem espremidos entre os móveis

Muito vinho, muito vinho!

Música!

E silêncio.

Não iludam-se com a eternidade.

Mortais,

vivam furiosamente os dias que lhes restam!


Amaldiçoado seja

todo obstáculo no caminho do amor!


Amem.


Pode beijar a noiva.

(Carlos Alberto Lucio Bittencourt)

http://cismasminhas.blogspot.com/2009/10/casorio.html

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sobre amar

Ao lado do corpo adormecido daquele que amo, encontro difícil resistir ao impulso de acordá-lo. Então resisto bravamente enquanto espero incansável a manhã que me trará sua mente pensante feita em voz grave cheia, seus delírios românticos escoados em abraços e beijos incessantes, seu desejo escancarado, rindo do meu dengo carinhoso.

Assim, os pezinhos se contorcendo, o corpo se espreguiçando, irei me deixando tocar com a certeza calma de que não passará muito antes que ele me tome inteira.

Uma madrugada de carnaval de um ano que já comecou diferente e surpreendeu uma falsa cínica com um amor impossível de negar por mais que se tenha tentado explicar em mais de trinta e dois milhões de livros. A razão cede espaço à incompreensão e à desistencia de qualquer tentativa de entender, enquanto eu me nego a escutar outros ainda cínicos e decido me entregar de vez ao sentimento inevitável. Tolice acreditar que tive escolha quando fui arrebatada de forma irremediável.

Que medida tem um amor quando até o ronco parece lindo? O mesmo ronco que em alguns anos eu provavelmente deteste, hoje soa como o tom da intimidade despreocupada. Até mesmo o simples pensar na previsibilidade de detestá-lo me encanta na sua significação da permanência.