terça-feira, 1 de novembro de 2011

Despedida de Saturno

Fiz 30. Finalmente. Aquela coisa de 20 e algo já estava me caindo mal com tanta história de vida, uma história de amor tão profunda, tantos países no passaporte, tantos fios de cabelos brancos, tanta dor no coração... Meu companheiro sempre me dizia que é impossível fazer 30 sem crise. Talvez ele tivesse razão. Só que minha crise não é fazer 30. Fazer 30 só me dá a propriedade pra tanta crise. Trabalho demais, durmo de menos, choro sozinha, sinto saudades que doem fundo na alma, e até chego a desejar secretamente não acordar. Acho que preciso de férias. Mas posso tirar férias dos meus pensamentos? De mim mesma?
Quando nos casamos, há 2 anos, peguei um vôo 1 semana depois com a pior turbulência que já presenciei. Percebi o quanto queria viver quando me vi desesperada pensando que não queria morrer naquela hora, quando estava tão feliz de estar finalmente dividindo o mesmo teto com o homem que amava. Agora, 3 meses sem ele, peguei outro vôo e turbulência forte. Fechei os olhos e não consegui ter medo. Achei que se ele cruzou essa linha, o outro lado não pode ser tão ruim. Ele me dizia "não sei se o mundo é bom, mas ele está melhor porque você chegou." Até acho que o mundo é bom, mas ele está tão pior porque ele se foi. Ainda bem que tenho amigos. E que ainda há amor nesse mundo. Que não se acabou tudo quando ele partiu. Porque por um tempo e ainda hoje às vezes parece que se acabaram os motivos para sorrir.
Mas acho que é a sombra de Saturno em minha vida, fazendo eclipse, me impedindo de ver com clareza. Me despeço do soturno Saturno com agonia. Em seu eclipse, vivi a maior tristeza, mas antes disso o sentimento de maior plenitude. Mas está chegando a hora de Saturno partir, levando junto tanta sombra. Preciso.

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