domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sobre amar

Ao lado do corpo adormecido daquele que amo, encontro difícil resistir ao impulso de acordá-lo. Então resisto bravamente enquanto espero incansável a manhã que me trará sua mente pensante feita em voz grave cheia, seus delírios românticos escoados em abraços e beijos incessantes, seu desejo escancarado, rindo do meu dengo carinhoso.

Assim, os pezinhos se contorcendo, o corpo se espreguiçando, irei me deixando tocar com a certeza calma de que não passará muito antes que ele me tome inteira.

Uma madrugada de carnaval de um ano que já comecou diferente e surpreendeu uma falsa cínica com um amor impossível de negar por mais que se tenha tentado explicar em mais de trinta e dois milhões de livros. A razão cede espaço à incompreensão e à desistencia de qualquer tentativa de entender, enquanto eu me nego a escutar outros ainda cínicos e decido me entregar de vez ao sentimento inevitável. Tolice acreditar que tive escolha quando fui arrebatada de forma irremediável.

Que medida tem um amor quando até o ronco parece lindo? O mesmo ronco que em alguns anos eu provavelmente deteste, hoje soa como o tom da intimidade despreocupada. Até mesmo o simples pensar na previsibilidade de detestá-lo me encanta na sua significação da permanência.

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