Encarando a dura realidade do fim da existência de alguém que amamos e sem a certeza da existência para além dessa vida, me vejo forçada mais do que nunca a questionar o sentido da vida. Se o que nos importa pode deixar de existir em um piscar de olhos e há limites intransponíveis ao que você pode fazer a respeito, como se entregar ao que importa apesar do medo da perda de tudo que vale à pena?
O sentido da minha existência não pode estar condicionado a uma só pessoa, apesar de que tantas vezes tenhamos reconhecido o fato simples de que amar com entrega é também aceitar que a nossa felicidade depende da vontade e dos atos da pessoa amada. Por isso tantas vezes respondíamos marotamente ao "eu te amo" do outro com um sorridente "que bom, senão eu tava f*".
Sem dúvida me importam meus ideais, o que acredito, me importam as pessoas que amo, me importa o destino da humanidade e da economia mundial... mas devo reconhecer, por mais que tudo isso aqueça meu coração em alguma medida, a ausência incomensurável da pessoa que mais amei na vida torna glacial qualquer verão carioca...
Sem qualquer dúvida, o sentido da vida é amar. Mas "a matéria vida é tão fina" que há que se aproveitar o privilégio do amor enquanto esteja presente, pelo tempo que seja, com toda a entrega que for possível. Suporto a saudade através da certeza de que amei como jamais imaginei ser possível. Nada tem mais valor que isso.
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