Convivo hoje com uma sombra. A sombra do amor imenso que já vivi. Sinto que para rever a luz da vida, tenho que me afastar desta sombra, em passos leves para não me dilacerar de saudade no caminho de saída em direção à luz. Não se trata de negar essa sombra que já faz parte de minh’alma. Tal qual a face escura da lua, meu coração se reparte explicitamente em dois hemisférios que buscam conviver. Ainda brigando. Luz e sombra me disputam, me querem inteira. Mas sou alma repartida. Com fé, um dia poderei ser uno na sombra e luz de minh’alma. Busco ser capaz de ver o belo nos eclipses e nas explosões solares que me dominam; vencendo a disputa dos pólos para me reencontrar transitando com o misto de leveza e intensidade requeridas entre equador, trópicos e pólos do meu coração, ora dilacerado por crateras profundas, mas a seu tempo se afastando de Saturno em busca de novas constelações onde a vida seja menos árida e mais solar.
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