Quando perdi meu companheiro, perdi junto nosso ninho, porque não conseguia mais viver lá. Espaço opressor de saudade e lembranças.
Pra meu consolo, duas amigas me deram abrigo sem nunca estipular data de saída. Mas elas não receberam só a mim. Receberam toda uma comunidade de amigos que passaram a dormir por ali, acampados pela casa, ou que vinham com freqüência, uma experiência digna dos Novos Baianos.
O que se estabeleceu ali foi uma espécie de milagre. Risadas, abraços, vinho, filmes, conversas proibidas para menores, a vida de tod@s em debate coletivo no quadro negro, listas de resoluções como resultado, choro desesperado, tod@s me pedindo que gritasse e colocasse tudo pra fora, uma paciência que parecia infinita enquanto eu questionava o sentido de continuar vivendo.
Não há palavras. Como expressar tão profunda gratidão ?
Foram amizades que se fortaleceram ou brotaram ali. Expressão do amor mais verdadeiro. Acolhimento. Afeto. Solidariedade.
Vocês tornaram impossível o meu impulso de duvidar da mágica da vida.
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